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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Saravacalé - a mistura do samba com flamenco


Foi no samba da Praça Roosevelt que o Saravacalé apareceu pra mim. É que lá eu conheci um moço que também tem um blog: o Samba con Flamenco. O moço é carioca e veio trabalhar em Sampa depois de uns 10 anos entre Alemanha e Espanha. Neste último país ele procurou muitíssimo essa mistura sonora que lhe parecia um casamento perfeito: samba + flamenco! Mas nada de o moço achar. Foi somente quando ele começou suas escrivinhações que, por acaso, alguém achou pertinente apresentar o Saravacalé ao autor do Samba con Flamenco.

Duas vocalistas com pinta de gatinha entoam clássicos da música flamenca que eu desconheço e uma porção de sambinhas que todos nós conhecemos. A espanhola se rasga no sofrimento visceral do ritmo ibérico, enquanto a brasileira, não menos afinada, põe no tempero a malemolência do samba. No samba de Vinícius, castanholas, e o pandeiro impõe o andamento ao violão flamenco. O carioca tinha razão, muy rico este samba do crioulo doido! Ele entrevistou a voz flamenca da banda e contou toda a história do surgimento da mistura, então chega de plagiar o conteúdo dele, né? Tá aqui pra quem quiser.

E vamos de música, ¿si?

Rosa Morena


Falta Pouco


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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Zé Carioca canta Ary Barroso e Caymmi


Joe Carioca, aqui conhecido como Zé Carioca, nasceu no início da década de 1940, depois que o Valdisney veio visitar o Rio. O hemisfério norte começava a descobrir nossa cultura, e a música brasileira começava a ganhar o reconhecimento que dali em diante só faria crescer. Pra se ter uma ideia, Carmen Miranda Miranda fez sua primeira apresentação nos EUA em 1939. 

Hora de lembrar das aulinhas de História: no mesmo 1939 a Alemanha invadiu a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra. Os americanos, muito espertinhos que são, acharam boa ideia fazer amigos aqui no cone sul. Essa política externa, executada pelo então presidente Roosevelt, ficou conhecida como Good Neighbor Policy. Disney não dá ponto sem nó, malandro! Imagina o ufanismo da geral quando o Zé começou a cantar Caymmi para o Pato Donald! Que bonita essa amizade! Sorte nossa, que aprendemos e ensinamos muito com o intercâmbio musical que começou a rolar a partir de então. Sorte nossa, que não percebemos a chacota do Valdisney: ele escolheu um papagaio  um papagaio!, quer que eu repita?  pra representar o Brazil-zil-zil. Era um baita dum malandro, esse Zé! Mas a gente gostou... ele é caloteiro e beberrão, há que se admitir, mas o Zé também é cativante, alegre, tem aquela malemolência também conhecida como, ops!, "jeitinho brasileiro"!

E vamos ao que viemos: no primeiro vídeo, de 1942, o Zé vai cantar Aquarela do Brasil e Tico-tico no Fubá, além de brindar o Pato Donald com um tour pela Cidade Maravilhosa. O segundo vídeo é de 1944, e nele o nosso papagaio entoa Na Baixa do Sapateiro e Você Já Foi À Bahia, com direito a vista panorâmica do Pelourinho. E dá-lhe Disney!










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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Caetano e Djavan - Sina

Caetaneando na música brasileira. O moço Djavan falou e eu concordei. Você também não acha que a luz de um grande prazer é irremediável neon?





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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Chico e Caetano - Tatuagem, Esse Cara e Sem Fantasia

Infelizmente não consegui descobrir nada sobre esse delicioso Encontro da música brasileira. Fiquei imaginando que poderia ser parte da vibe do disco Caetano e Chico - juntos e ao vivo, mas as datas desmentem: o disco é de 1972 e o vídeo, de 1978. 


Onde será essa casinha nas montanhas? Sei não. Só sei que atrás do Caetano tem uma rede vazia e que era lá que eu queria estar!




Tatuagem / Esse Cara

Sem Fantasia




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terça-feira, 31 de julho de 2012

Chico Buarque e Paula Toller - Dueto

E prosseguimos com mais uma parceria inusitada da música brasileira. Aqui a Paula Toller realiza meu sonho e faz dueto com Chico Buarque cantando, justamente, Dueto. O corte de cabelo e o look da Paula estão lamentáveis - anos oitenta, fazer o quê? - mas ficou lindinha a versão que eles fizeram pra esse especial que a Band exibiu em 1984.

Todo mundo aí deve conhecer a versão original, na qual Ele faz parceria com a Nara Leão. Vou aproveitar a carona e mostrar aqui a minha versão favorita de Dueto, com a Zizi Possi na voz feminina. Gosto demais do timbre dela, pena que ela faça escolhas tão duvidosas de repertório. Per Amore não dá, né, Zizi?

Esta segunda versão faz parte da trilha do filme Amores Possíveis (2001). O Chico fez pequenas modificações na letra, e os mais atentos vão perceber como Ele brinca com os papéis masculino e feminino em cada versão.







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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tom Jobim e Marina - Lígia

Eu adoro uma parceria inusitada. Essa daqui aconteceu em Nova Iorque, no especial que a Globo fez pra comemorar os sessenta anos do Tom Jobim. Delícia como O Maestro fica à vontade, curtindo a presença da menininha Marina Lima. Queria eu sentar no banquinho ao lado dele!




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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tereza da Praia

E seguimos na inesgotável e prazerosa tarefa de compreender porque é que o Tom Jobim era "o cara".

Tereza da Praia foi encomendada pela gravadora Continental pra fazer mais um pouquinho de $$$ em cima da suposta rivalidade entre Lúcio Alves e Dick Farney. Pareceria do Tom com Billy Blanco, o dueto foi lançado em 1954, quando Lúcio e Dick eram Os cantores e O Maestro ainda dava os primeiros passos na carreira - só pra dar uma referência, a Garota de Ipanema é de 1962. Nem preciso dizer do sucesso e das mil e uma regravações desse clássico da Bossa Nova. Quem foi ao mais recente show do Chico Buarque deve estar com a música fresquinha na cabeça, porque mais uma vez o Ele homenageou o maestro soberano, desta vez cantando a Tereza em uma irreverente parceria com o grande baterista Wilson das Neves.

E por falar em baterista, aqui vamos ficando com o tal do Toninho, que eu não conheço, mas que faz a parceria com o Dick no lugar do Lúcio Alves. Não querendo desmerecer o Toninho, diz que é excelente baterista, mas aqui a gente gosta das coisas clássicas, é ou não é? Incompetência minha, que não achei vídeo do dueto original. Segura, Toninho!





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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sinatra & Jobim

Diz que o Tom Jobim não acreditou quando A Voz do outro lado do telefone apresentou-se como Frank Sinatra e o convidou pra gravarem um disco juntos. Desligou na cara, conta-se. Ainda bem que o Frank ligou de novo.
O disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim foi eleito pela crítica o melhor de 1967, e naquele ano ficou em segundo lugar nas paradas, perdendo só pro Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band. É muito fino esse disco. Aqui os dois dão uma palinha pra gente. A produção simples e classuda esbanja bossa nova: smoking, cadeiras de palha e cigarrinho na mão. Eu fecho os olhos e tenho vista pro Corcovado.




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segunda-feira, 19 de março de 2012

O Meu Amor - Elba Ramalho e Cláudia Ohana

Você já viu essa pérola kitsch do cinema brasileiro? Sabia que o Edson Celulari canta e dança no papel do malandro Max Overseas? Que ele abre o filme cantando A Volta do Malandro? Já ouviu a Elba dizendo pra Cláudia - não a Raia, a Ohana - que ela - a Cláudia, gente, o ícone maior da Playboy roots, olha que audácia! - nunca gozou? Então toma essa:

Ópera do Malandro (direção: Ruy Guerra, 1986)


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Doce de Coco - Yamandu e Dominguinhos

Ah, TV Cultura, obrigada por ser uma fonte tão generosa e farta de pérolas da música brasileira!

A música é do Jacob do Bandolim (pqp!), com interpretação de Dominguinhos (pqp!2) e Yamandu Costa (pqp!3). Gente, vamos combinar que quando os progenitores do recém nascido decidem chamá-lo de Yamandu, fica decidido que ele vai ser ou músico ou mendigo. O moço fez um xis bem grande na primeira opção.



Bom, a música é do baú da vovó, digo, do Jacob, então, pra quem não conhece, eis aqui a versão letrada, cantada pela Thalma de Freitas. A Thalma é atriz, mas destaca-se mesmo como cantora. Ela faz parte da Orquestra Imperial, junto com um pessoal peso-pesado. Qualquer dia escrevo um post sobre eles.




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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Garota de Ipanema - Elis & Hermeto

Vou fazer uma declaração polêmica: eu não vejo graça na Garota de Ipanema. Acho uma musiquinha besta e não entendo todo esse auê. Tom Jobim e Vinícius, ambos têm músicas muuuuuuiiiito mais bonitas. Mas deve ter algo nessa música que os meus ouvidos de cantora de chuveiro não alcançam, porque o dado oficial é que a Garota é a música mais executada de todos os tempos [algumas fontes creditam este título a Yesterday, concedendo à Garota o segundo lugar]. Se você jogar no YouTube vai descobrir versão da Amy Winehouse, do Stevie Wonder (o cara botou o Rock'n Rio inteiro pra cantar!) e do baralho a quatro. Isso sem falar na brasileirada. Acho que se procurar bem deve dar pra achar até gravação do Michel Teló.

Essa é minha versão favorita. Dessa eu gosto de verdade. Acho a Garota meio sem graça, mas nem missa fica sem graça na voz da Elis. E no piano tem o Hermeto, esse louco que toca bule, geladeira e outros eletrodomésticos. Acho ele a cara do Mestre dos Magos. 

Montreaux Jazz Festival, 1979:




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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Salvador Dali & Disney

Quêêêêê????? Salvador Dali e Disney juntos????? É gente, é isso mesmo. Eles brincaram juntos, esses dois monstros sagrados. Eram amiguinhos, olha que fofo:

Surrealismo e animação

O projeto do curta Destino nasceu em 1946, mas foi abandonado porque o Valdisney tava meio duro. O tal do pós guerra, sabe como é... Em 1999 foi retomado, mas a primeira exibição só foi acontecer em 2003, no festival de cinema de Annecy, na França.

Emoção e piração!



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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tom Jobim, Vinícius e o chope da Brahma

Eu era uma meninota quando saiu esse comercial. Foi em 1992, só 2 anos antes de o Tom ir embora pro céu! Muito me emociona esse nosso maestro. Quando revi esse vídeo pela primeira vez confesso que dei até uma choradinha! E aqui ele ainda tem a companhia póstuma do Vinícius, que o esperava lá em cima desde 1980. Falando nisso, quem quiser saber mais sobre a notória morte na banheira do poetinha da música brasileira, encontra aqui a história contada pelo Toquinho himself, que estava lá presente! Mas voltando ao vídeo, gente, que lindeza! Tom Jobim, Vinícius de Moraes, piano de cauda, Rio de Janeiro... eu não me aguento! Quer dizer, é um comercial, então é claro que é cafona, mas como eu sou amante assumida da cafonice...




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Wilson Simonal e Sarah Vaughan

Eu assisti ao documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei, que conta a trajetória musical do Wilson Simonal, no cinema com mamãe e papai. Eles são casados há mais de 30 anos, e se amam há mais de 30 anos. Que bonitinho ver os dois pombinhos nostalgiando no cinema... Eles sabem o que minha geração não sabe sobre o Simonal: ele era o rei. Dividia o trono com o outro rei, o Roberto. A diferença é que o Simonal foi deposto, numa das mil e uma histórias mal contadas da ditadura. Tá lá no documentário.

Bom, esse vídeo aqui dá uma dimensão da grandeza desse cantor. Ou você acha que miss Sarah Vaughan sobe no palco de qualquer um? 


Assista a íntegra do documentário aqui.



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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Maria Bethânia e Paulinho da Viola

Oh! Um primeiro post! Oh! Meu blog existe! 

Será que tem gente me lendo? ... Alguém? ... Mãe? 

Eu quero fazer mais e mais o exercício de compartilhar coisas boas, não importa muito o quê ou de quem. Se tiver a ver com música brasileira, ótimo, mas o que importa mesmo que é que seja coisa boa. Mas como esse é meu primeiro post, eu sinto a pressão (interna) de começar com algo fodástico, que faça com que vocês que estão me lendo queiram ler mais e contar pros seus amigos. Bom, egotrips à parte, vamos ao que interessa.

Eis aqui dois trechinhos do documentário Saravah (1969). Coisa fina, gente. É do diretor francês Pierre Barouh, que levou pro cinema ninguém menos que Pixinguinha, Baden Powel, Maria Bethânia (sucesso no look escova progressiva) e Paulinho da Viola. Os dois últimos protagonizam as cenas a seguir.

Gente, sinceridade, eu juro que abriria mão de toda a cerveja da minha vida por um único gole nessa mesa de bar.


  


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