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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O passado negro da Roberta Sá

Quando eu falei pra minha amiga Caroline Riley que eu tinha vontade de me inscrever no The Voice Brasil ela torceu o nariz e falou: "hum... eu imagino você uma coisa mais Roberta Sá". Eu comecei a rir e logo a Carol entendeu, porque eu contei pra ela que a Roberta tinha começado no Fama.

Foi em 2002, na segunda edição que ela apareceu, destoando radicalmente dos outros participantes e do formato pirofágico global. Eu me lembro que na página dela, dentro da página oficial do Fama, Roberta escreveu que seu ídolo era Chico Buarque. Os ídolos de quase todos os outros participantes eram seus respectivos progenitores. Cafona, né?

Bom, é claro que a moça não se deu muito bem. Na segunda edição, a Globo tirou dos jurados o poder de filtrar os candidatos, passando as escolhas a serem integralmente do público. O resultado é que o vencedor foi o Marcus Vinícius. Não é que ele fosse ruim, mas sabe-se que ele ganhou por um apelo emocional da emissora, que promoveu, durante as filmagens, o reencontro de Marcus com seu pai, que desaparecera quando ele tinha 14 anos. 

Fui reencontrar a Roberta no final de 2003, quando reconheci de imediato a voz que cantava A Vizinha do Lado, clássico de Dorival Caymmi que integrou a trilha da novela Celebridade [R.I.P. Laura Prudente da Costa]. A moça, que não precisava mais dar provas de seu talento, começava a mostrar a primorosa escolha de repertório que marcaria sua carreira. 

Mas ainda faltava chão pra ela estourar. Em 2004, foi contratada pra gravar um disco que seria brinde de uma empresa e não foi lançado comercialmente. Sambas e Bossas tem arranjos simples e delicados. É um disco bem gostoso, mas talvez um pouco repetitivo. E então chegamos em 2005! A Roberta deve ter penado um tanto pra se livrar do estigma de ter saído de um programa de calouros (né, Carol?). Mas parece que deu certo, porque Braseiro, seu disco de estreia, teve participação de MPB-4 e Ney Matogrosso. A moça sabe fazer amigos bacanas! Hoje é casada com o Pedro Luis (sim, o da Parede), recebeu Chico Buarque na gravação de seu DVD (realizando meu sonho e o dela) e vive cercada de gente do calibre de Hamilton de Hollanda - tido por muitos como o maior bandolinista vivo - e o Trio Madeira Brasil, com quem lançou o maravilhoso álbum Quando o Canto É Reza.

Infelizmente eu não achei quase nada da época do Fama. Vamos ficar com a interpretação ligeiramente cafona de Só Tinha de Ser com Você, do mestre Jobim. Depois a gente pede pra ela explicar a roupa e as reboladas.





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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Noel Rosa, o Poeta da Vila

Apenas vinte e seis aninhos tinha Noel Rosa quando a tuberculose o levou. O bicho era feio, mas feio mesmo. Nasceu há exatos cento e dois anos. A fórceps, e com uma má formação na mandíbula que lhe garantiu o peculiar rosto quase sem queixo. Era magrinho que só! Um fiapo de gente! Dinheiro também não tinha: demoraria ainda muito tempo pra que músico começasse a ganhar dinheiro com música. 

Noel Rosa, Poeta da Vila

Mas, como a todo bom artista, mulheres não lhe faltaram. Casou-se com a bela Lindaura (com esse nome, ainda bem que era bonita!), mas seu grande amor foi a prostituta Ceci, que Noel homenageou com o sambinha Dama do Cabaré. Com ela Noel passava noites regadas a muita bebida e cigarros, protagonizando uma infinidade de causos daquele caldeirão cultural que era a Lapa carioca.

Dama do Cabaré - Orlando Silva

Travou um frutífero duelo musical com Wilson Batista, de que resultou um sem-fim de sambinhas que nunca pararam de ser regravados, como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz. Suas marchinhas também continuam ecoando ano após ano no Carnaval carioca. Aqui escolhemos a saborosa Pierrot Apaixonado, história de amor executada pelo grande Heitor dos Prazeres, parceiro de Noel na composição. Mais uma pérola do baú da TV Cultura.


Feitiço da Vila - Rosa Passos


Palpite da Vila - Lisa Ono


Pierrot Apaixonado - Heitor dos Prazeres


Já no fim de sua vida, Noel foi a BH respirar um pouco de ar puro e afastar-se da vida boêmia, seguindo recomendações de seu médico. Da capital mineira o Poeta da Vila Izabel escreveu para o médico os seguintes versos: "Já apresento melhoras/Pois levanto muito cedo/E deitar às nove horas/Para mim é um brinquedo/A injeção me tortura/E muito medo me mete/Mas a minha temperatura/Não passa de trinta e sete/Creio que fiz muito mal/Em desprezar o cigarro/Pois não há material/Para o exame de escarro".



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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Carmen Miranda ainda hoje

Caetano Veloso, Marisa Monte, Daniela Mercury, Ney Matogrosso, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Bebel Gilberto, Elis Regina e Gal Costa: este são alguns dos milhares de artistas que já regravaram canções celebrizadas por Carmen Miranda. Ainda assim é difícil compreender, com o olhar de hoje, o que diabos é que essa baiana tem. 

A primeira coisa a ser dita é que Carmen nasceu em Portugal. Mas tudo bem, não precisamos dividir as glórias com os portugas porque ela veio pra cá muito pequena e o Brasil sempre foi o país do seu coração. A segunda coisa a dizer é que Carmen, se fosse brasileira, não seria baiana. Ela cresceu na Lapa carioca, que nos anos 1910 e 1920 era aquele caldeirão cultural fervilhante que a gente conhece das músicas do Chico Buarque. Estamos falando da época em que o samba ainda era pecado e nos salões da alta sociedade o que se bailava era música gringa.

A pequena notável apropriou-se de toda essa sopa cultural e fez-se a primeira artista multimídia do Brasil. Além de cantar, dançar e atuar, transitava com facilidade pelo que viria a se tornar a indústria cultural. Sua projeção internacional até hoje não é comparável à de nenhum outro artista brasileiro  você conhece alguém mais que tenha virado desenho da Disney?

Mas a Carmen Miranda dos americanos mostrava um Brasil cheio de latinidades, misturando no mesmo balaio Rio, Bahia e pitadas de salsa. Incentivada pelos produtores americanos, carregava nos trejeitos e no sotaque, embora falasse inglês muito bem. Foi, por isso, acusada de acentuar o esterótipo brasileiro e de servir de instrumento para a estratégia americana da boa vizinhança, que precedeu a Segunda Guerra. Esse assunto é abordado com mais profundidade na postagem sobre o Zé Carioca

Da controvérsia veio um de seus maiores clássicos, Disseram Que Voltei Americanizada, gravado posteriormente por Caetano Veloso, Roberta Sá, Adriana Calcanhoto e muitos outros. 

Como toda estrela que se preze, Carmen partiu jovem e sozinha. Estava afogada entre compromissos de trabalho e remédios, e em 1955 morreu aos 46 anos.

Escolhi o trecho de abertura no filme That Night in Rio (1941). Carmen que me desculpe, mas é transbordante a presença do elemento político pré-guerra nessa cena. Na sequência Roberta Sá nos mostra sua versão para Disseram Que voltei Americanizada. O vídeo é parte de um especial que celebrou o centenário da estrela.
   




   

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Saravacalé - a mistura do samba com flamenco


Foi no samba da Praça Roosevelt que o Saravacalé apareceu pra mim. É que lá eu conheci um moço que também tem um blog: o Samba con Flamenco. O moço é carioca e veio trabalhar em Sampa depois de uns 10 anos entre Alemanha e Espanha. Neste último país ele procurou muitíssimo essa mistura sonora que lhe parecia um casamento perfeito: samba + flamenco! Mas nada de o moço achar. Foi somente quando ele começou suas escrivinhações que, por acaso, alguém achou pertinente apresentar o Saravacalé ao autor do Samba con Flamenco.

Duas vocalistas com pinta de gatinha entoam clássicos da música flamenca que eu desconheço e uma porção de sambinhas que todos nós conhecemos. A espanhola se rasga no sofrimento visceral do ritmo ibérico, enquanto a brasileira, não menos afinada, põe no tempero a malemolência do samba. No samba de Vinícius, castanholas, e o pandeiro impõe o andamento ao violão flamenco. O carioca tinha razão, muy rico este samba do crioulo doido! Ele entrevistou a voz flamenca da banda e contou toda a história do surgimento da mistura, então chega de plagiar o conteúdo dele, né? Tá aqui pra quem quiser.

E vamos de música, ¿si?

Rosa Morena


Falta Pouco


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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Zé Carioca canta Ary Barroso e Caymmi


Joe Carioca, aqui conhecido como Zé Carioca, nasceu no início da década de 1940, depois que o Valdisney veio visitar o Rio. O hemisfério norte começava a descobrir nossa cultura, e a música brasileira começava a ganhar o reconhecimento que dali em diante só faria crescer. Pra se ter uma ideia, Carmen Miranda Miranda fez sua primeira apresentação nos EUA em 1939. 

Hora de lembrar das aulinhas de História: no mesmo 1939 a Alemanha invadiu a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra. Os americanos, muito espertinhos que são, acharam boa ideia fazer amigos aqui no cone sul. Essa política externa, executada pelo então presidente Roosevelt, ficou conhecida como Good Neighbor Policy. Disney não dá ponto sem nó, malandro! Imagina o ufanismo da geral quando o Zé começou a cantar Caymmi para o Pato Donald! Que bonita essa amizade! Sorte nossa, que aprendemos e ensinamos muito com o intercâmbio musical que começou a rolar a partir de então. Sorte nossa, que não percebemos a chacota do Valdisney: ele escolheu um papagaio  um papagaio!, quer que eu repita?  pra representar o Brazil-zil-zil. Era um baita dum malandro, esse Zé! Mas a gente gostou... ele é caloteiro e beberrão, há que se admitir, mas o Zé também é cativante, alegre, tem aquela malemolência também conhecida como, ops!, "jeitinho brasileiro"!

E vamos ao que viemos: no primeiro vídeo, de 1942, o Zé vai cantar Aquarela do Brasil e Tico-tico no Fubá, além de brindar o Pato Donald com um tour pela Cidade Maravilhosa. O segundo vídeo é de 1944, e nele o nosso papagaio entoa Na Baixa do Sapateiro e Você Já Foi À Bahia, com direito a vista panorâmica do Pelourinho. E dá-lhe Disney!










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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Caetano e Djavan - Sina

Caetaneando na música brasileira. O moço Djavan falou e eu concordei. Você também não acha que a luz de um grande prazer é irremediável neon?





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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Maria Bethânia - Jeito estúpido de te amar

A Bethânia me causa esse negócio que não cabe no peito, na voz, na palavra ou no palavrão. Não sei onde ponho as coisas que ela diz.

Deixa ela olhar nos teus olhos e ouve. Entendo, entendo sim gente que não gosta de Maria Bethânia. É muita inteireza, muita densidade dentro de cada palavra. Ela me solicita em todas as possibilidades da minha emoção, e, porque sou dramática, eu gosto e cedo. Gente metódica, engenheiro, pragmáticos, práticos, calculadoras, corretores de imóveis e da bolsa: esses não gostam da Bethânia. Meu irmão mais velho, tão amado, não pode desfrutar da Bethânia, porque é economista e alega que ela grita muito. Não entende, ele e todos os outros, que tem hora que é de grito e, então: grita-se!

Deixa ela olhar nos teus olhos e ouve.  






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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Chico e Caetano - Tatuagem, Esse Cara e Sem Fantasia

Infelizmente não consegui descobrir nada sobre esse delicioso Encontro da música brasileira. Fiquei imaginando que poderia ser parte da vibe do disco Caetano e Chico - juntos e ao vivo, mas as datas desmentem: o disco é de 1972 e o vídeo, de 1978. 


Onde será essa casinha nas montanhas? Sei não. Só sei que atrás do Caetano tem uma rede vazia e que era lá que eu queria estar!




Tatuagem / Esse Cara

Sem Fantasia




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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

João Gilberto e a Brahma

É que hoje é sexta-feira, gente! Em um dia como hoje, com esse céu azul e com o final de semana que eu tenho pela frente, não tem Cristo que me tire o bom humor!

Com o amigo João Gilberto não é bem assim. A chatice do João é lendária. Há uns tempos atrás saiu no jornal uma notícia sobre problemas hidráulicos no apartamento dele. Ocorre que o João, bicho do mato que é, tem o hábito de não abrir a porta pra visita nenhuma. Nem pro encanador. Sobrou pro vizinho de baixo, que ficou cheio de goteira em casa. E foi assim que o encanamento do João Gilberto virou notícia de jornal.

A Brahma deve ter pago uma nota pra o gênio mais chato da música brasileira gravar esse comercial, que termina com sorrisinho e com o imprescindível "número 1". O vídeo  segue a mesma onda bossa nova de outro comercial que já postei aqui, esse protagonizado pela dupla Tom e Vinícius. 

Então vamos de sexta-feira, João Gilberto e cerveja gelada, que é pra ninguém botar defeito!





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terça-feira, 31 de julho de 2012

Chico Buarque e Paula Toller - Dueto

E prosseguimos com mais uma parceria inusitada da música brasileira. Aqui a Paula Toller realiza meu sonho e faz dueto com Chico Buarque cantando, justamente, Dueto. O corte de cabelo e o look da Paula estão lamentáveis - anos oitenta, fazer o quê? - mas ficou lindinha a versão que eles fizeram pra esse especial que a Band exibiu em 1984.

Todo mundo aí deve conhecer a versão original, na qual Ele faz parceria com a Nara Leão. Vou aproveitar a carona e mostrar aqui a minha versão favorita de Dueto, com a Zizi Possi na voz feminina. Gosto demais do timbre dela, pena que ela faça escolhas tão duvidosas de repertório. Per Amore não dá, né, Zizi?

Esta segunda versão faz parte da trilha do filme Amores Possíveis (2001). O Chico fez pequenas modificações na letra, e os mais atentos vão perceber como Ele brinca com os papéis masculino e feminino em cada versão.







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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tom Jobim e Marina - Lígia

Eu adoro uma parceria inusitada. Essa daqui aconteceu em Nova Iorque, no especial que a Globo fez pra comemorar os sessenta anos do Tom Jobim. Delícia como O Maestro fica à vontade, curtindo a presença da menininha Marina Lima. Queria eu sentar no banquinho ao lado dele!




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domingo, 3 de junho de 2012

Chico Buarque x Cyro Monteiro

Gosto demais das historinhas da nossa música brasileira!

O Chico Buarque é Fluminense roxo. Quando nasceu sua filha Silvia, o Cyro Monteiro, de sacanagem, presenteou a pequena com uma camisetinha do Flamengo.  O Chico respondeu com o sambinha Ilmo. Sr. Cyro Monteiro (1970), que posteriormente recebeu o segundo título de Receita pra Virar Casaca de Neném. Pra entender o porquê é preciso ouvir com essas duas imagens em mente:

Chico PolitheamaFla x FluFla                          Flu
   
Aqui o próprio Cyro Monteiro nos presenteia com essa história. Um pouco difícil de entender por causa da qualidade do áudio. Atenção ao detalhe: a gatinha sentada à esquerda do Cyro é a Elke Maravilha. 


É claro que não posso deixar de colocar a versão d'Ele. Reparem na caixa de fósforo na percussão. É mais uma homenagem ao Cyro, que foi um exímio tocador desse instrumento de boteco.




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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tereza da Praia

E seguimos na inesgotável e prazerosa tarefa de compreender porque é que o Tom Jobim era "o cara".

Tereza da Praia foi encomendada pela gravadora Continental pra fazer mais um pouquinho de $$$ em cima da suposta rivalidade entre Lúcio Alves e Dick Farney. Pareceria do Tom com Billy Blanco, o dueto foi lançado em 1954, quando Lúcio e Dick eram Os cantores e O Maestro ainda dava os primeiros passos na carreira - só pra dar uma referência, a Garota de Ipanema é de 1962. Nem preciso dizer do sucesso e das mil e uma regravações desse clássico da Bossa Nova. Quem foi ao mais recente show do Chico Buarque deve estar com a música fresquinha na cabeça, porque mais uma vez o Ele homenageou o maestro soberano, desta vez cantando a Tereza em uma irreverente parceria com o grande baterista Wilson das Neves.

E por falar em baterista, aqui vamos ficando com o tal do Toninho, que eu não conheço, mas que faz a parceria com o Dick no lugar do Lúcio Alves. Não querendo desmerecer o Toninho, diz que é excelente baterista, mas aqui a gente gosta das coisas clássicas, é ou não é? Incompetência minha, que não achei vídeo do dueto original. Segura, Toninho!





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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rhaissa Bittar

Um dia minha amiga Gabriela Pelosi passava por Perdizes e acabou seduzida por uma loja de chapéus exóticos. Coisas malucas, meio fantasias, meio excêntricas. A dona da boutique, com quem ela conversou bastante, acabou por lhe apresentar o som dessa menina, a Rhaissa Bittar. A Gabi comprou o CD ali mesmo, porque a chapeleira maluca parece que é tipo uma madrinha de profissão da Rhaissa e vende o disco na loja.

Logo na sequência nos encontramos e eu vi o CD no carro da Gabi. Eu conheço o irmão da Rhaissa, e através dele já cruzei com ela uma vez há muito tempo. Mas na época eu não dei muita bola, nem fui atrás do trabalho dela. Foi só quando entrei no carro e ouvi aquele som que o negócio bateu.

A Rhaissa escreve letras muito divertidas sobre assuntos (e em idiomas!) diversos. Ela tem uma característica vocal que, manejada de outra forma, poderia soar um pouco caricata, mas ela conhece a própria voz e brinca deliciosamente com seu timbre, conseguindo um resultado final que é pura irreverência! Eu e a Gabi (que também é cantora) achamos que a Rhaissa tem um quê de Carmen Miranda. A arte do CD é super bonita e o encarte tem todas as letras. Sou só elogios pra esse disco e considero a Rhaissa uma das revelações da nova música brasileira. E olha que meu gosto musical é de extrema direita, hein? A gente aqui não abre espaço pra qualquer novata não!

Eu escolhi pra mostrar pra vocês essa música chamada Chilique Chique. Aqui só vou botar essa, mas fica o convite pro my space da moça, onde dá pra ouvir outras faixas. Vai lá, gente. Tem até música em chinês! 

Com vocês, Rhaissa Bittar!





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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Toni Tornado - Me Libertei

Eu nunca imaginei que fosse escrever um post sobre o Toni Tornado. Cara, quem é o Toni Tornado, afinal? Eu não sei nada sobre ele! Eu poderia jogar no Google e fingir que sei, mas seria charlatanismo da minha parte. Não sei e pronto. Mas aí é que está o grande barato dessa história de compartilhar. Explico-me: desde que comecei o blog, tenho recebido pérolas de diversas fontes. Pensam que só vocês recebem? Péééé!, errado! O mundo mágico do compartilhamento é igual que nem a flechinha da reciclagem: uma via de mão dupla! Daí que, numa dessas flechinhas apontadas pra mim, me chegou essa suingueira incrível do Toni Tornado. Foi meu segundo contato com ele. O primeiro, gente, foi na novela Vamp, em 1991. Pode vasculhar no seu baú da memória que está lá.




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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sinatra & Jobim

Diz que o Tom Jobim não acreditou quando A Voz do outro lado do telefone apresentou-se como Frank Sinatra e o convidou pra gravarem um disco juntos. Desligou na cara, conta-se. Ainda bem que o Frank ligou de novo.
O disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim foi eleito pela crítica o melhor de 1967, e naquele ano ficou em segundo lugar nas paradas, perdendo só pro Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band. É muito fino esse disco. Aqui os dois dão uma palinha pra gente. A produção simples e classuda esbanja bossa nova: smoking, cadeiras de palha e cigarrinho na mão. Eu fecho os olhos e tenho vista pro Corcovado.




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terça-feira, 3 de abril de 2012

Chico Buarque - jingle de Natal

Isso sim é pérola! Esse sambinha pueril faz parte de um compacto raríssimo de 1967. O disco era um brinde de final de ano da já extinta imobiliária Clineu Rocha. Contrataram o Chico pra fazer um sambinha natalino e deu nisso. Depois teve briga, porque o seu Clineu quis dar uma de malandro pra cima do Chico. Quem contou, em entrevista ao Coojornal em junho de 1977, foi Ele mesmo:

Coojornal - Em compensação, aquela imobilária de São Paulo, a Clineu Rocha, usou com a maior cara de pau uma música tua como jingle...
Chico Buarque - Mas ela foi a falência como castigo (risos)
Coojornal - Como foi mesmo essa história da Clineu Rocha?
Chico Buarque - Não, foi um negócio de dez anos atrás. Eu fiz uma musiquinha, gravei com violão assim, que era para essa empresa distribuir aos sue clientes de brinde no Natal. Mas estava escrito, não era gravação comercial, não era para tocar na rádio nem nada. Agora há dois anos atrás usaram no Natal como
jingle da firma. Aí fui lá e processei e eles me deram a grana porque era um abuso.


Agora começa a viagem no tempo. Primeiro tem um texto introdutório que deve ter sido escrito por alguém cuja paixão por Ele se equipara à minha. [Preciso conhecer essa pessoa]. Depois vem o sambinha e na sequência (medo) você vai ouvir alguns jingles assustadores da Clineu Rocha. Talvez você queira apertar o pause antes disso.





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segunda-feira, 19 de março de 2012

O Meu Amor - Elba Ramalho e Cláudia Ohana

Você já viu essa pérola kitsch do cinema brasileiro? Sabia que o Edson Celulari canta e dança no papel do malandro Max Overseas? Que ele abre o filme cantando A Volta do Malandro? Já ouviu a Elba dizendo pra Cláudia - não a Raia, a Ohana - que ela - a Cláudia, gente, o ícone maior da Playboy roots, olha que audácia! - nunca gozou? Então toma essa:

Ópera do Malandro (direção: Ruy Guerra, 1986)


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quinta-feira, 15 de março de 2012

Tom Drummond

Eu joguei no Google o nome desse moço. Quase nada além dos vídeos dele no vídeos dele no YouTube, site oficial e MySpace. Em "notícias" deve ter coisa, eu pensei. Nada. Mas eu boto minha mão no fogo se essa injustiça não estiver com os dias contados.

O Tom tem o pacote completo pra deslanchar na música brasileira. Começou pelo piano aos 6 anos e hoje é bacharel em violoncelo, mas toca também violão e flauta. As composições são lindas, e já tem sim gente começando a perceber isso, tanto é que o cearense foi, em 2010, o vencedor do I Festival de Música da Rádio Universitária FM, lá no Ceará. Ele abocanhou o troféu na categoria Música com Letra com a excelente Seu Santo. Fora, gente, que o Tom é uma graça! Os olhos claros no rosto de menino e a pegada minimalista banquinho + violão (me) fazem lembrar o jovem Chico Buarque (suspiro...). Impossível não ligar os pontos diante de O Enterro do Malandro, homenagem do jovem compositor ao personagem que é o arquétipo da boemia carioca e que o Chico cantou tão bem.


Seu Santo

O Enterro do Malandro

A música que me arrebatou foi de cara a primeira que ouvi. Uma letra irreverente, rimas que fluem naturalmente - sem aquela forçação de barra que a gente escuta tanto hoje em dia - um clipe divertido, super alinhado à estética clean do artista e uma melodia que não desgruda da minha cabeça.

Tom Drummond, sou sua fã!

Ai de Mim


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Orquestra Voadora - Hino

O Carnaval do Rio de Janeiro é o maior espetáculo da Terra. E a quarta-feira de cinzas é o dia mais triste do ano.

Aqui vai a minha homenagem sincera à cidade que é mesmo maravilhosa e ao Carnaval em que só não vai quem não aguenta o tranco. Não tem que comprar abadá. Não tem que pedir licença pro Kassab. É simplesmente colocar o pé na rua - lembre-se, a rua é e sempre será nossa! - e disseminar alegria.

Eu tive a honra de desfilar junto com a Orquestra Voadora, essa big band que no Carnaval vira huge band pra fazer o Aterro do Flamengo decolar. O calor emana de todos os lados: do Sol, do asfalto e da multidão de cinquenta mil foliões que acompanharam o cordão! Máscaras, perucas, asas, pernas-de-pau, cílios postiços, purpurina, confete e serpentina. E alegria. E muita alegria. 

Clipe oficial da OV.



papagaio da OV


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