quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Porgy and Bess

Essa é pra você que acha que não gosta de musicais.

Em 1935 estreou nos EUA Porgy and Bess. A ópera folk conta a história do negro aleijado Porgy e suas tentativas de tentar livrar a amada Bess das garras de seu amante malvado, tudo dentro do contexto das plantações de algodão no sul do país. Vanguardista, a primeira montagem deu destaque para os negros, não somente no elenco mas também nos bastidores. Pra se ter uma idéia, a diretora do coro foi a musicista negra Eva Jessye. Claro que a coisa não foi muito bem aceita. 

Foi na década de 1970 que o musical finalmente virou cult, mas muito antes disso suas canções transcenderam a relação com a peça e ganharam versões de boa parte dos ícones do jazz. Sim, eu falei jazz. Tem que abrir a cabeça, pessoal. Musical não é só essa coisa fofa e florida que vocês pensam não. Duvida? E se eu disser que as músicas de Porgy and Bess são de autoria do grande George Gershwin? Melhora? 

Surpreenda-se com o enorme número de canções que você já conhece mas não sabia que vinham desse musical, e veja quanta gente diferente já reverenciou essa obra prima!

Summertime - Janis Joplin

I loves you Porgy - Nina Simone

I got plenty o' nottin' - Ella & Louis

Bess you is my woman now - Marisa Monte e Nouvelle Cuisine

It ain't necessarily so - Aretha Franklin

Agora fala de novo que você não gosta de musical, fala...



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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Chico e Caetano - Tatuagem, Esse Cara e Sem Fantasia

Infelizmente não consegui descobrir nada sobre esse delicioso Encontro da música brasileira. Fiquei imaginando que poderia ser parte da vibe do disco Caetano e Chico - juntos e ao vivo, mas as datas desmentem: o disco é de 1972 e o vídeo, de 1978. 


Onde será essa casinha nas montanhas? Sei não. Só sei que atrás do Caetano tem uma rede vazia e que era lá que eu queria estar!




Tatuagem / Esse Cara

Sem Fantasia




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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

João Gilberto e a Brahma

É que hoje é sexta-feira, gente! Em um dia como hoje, com esse céu azul e com o final de semana que eu tenho pela frente, não tem Cristo que me tire o bom humor!

Com o amigo João Gilberto não é bem assim. A chatice do João é lendária. Há uns tempos atrás saiu no jornal uma notícia sobre problemas hidráulicos no apartamento dele. Ocorre que o João, bicho do mato que é, tem o hábito de não abrir a porta pra visita nenhuma. Nem pro encanador. Sobrou pro vizinho de baixo, que ficou cheio de goteira em casa. E foi assim que o encanamento do João Gilberto virou notícia de jornal.

A Brahma deve ter pago uma nota pra o gênio mais chato da música brasileira gravar esse comercial, que termina com sorrisinho e com o imprescindível "número 1". O vídeo  segue a mesma onda bossa nova de outro comercial que já postei aqui, esse protagonizado pela dupla Tom e Vinícius. 

Então vamos de sexta-feira, João Gilberto e cerveja gelada, que é pra ninguém botar defeito!





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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Alice e a Lagarta - Disney

Transformações. Quem não as quer, quem não as teme? Gosto por demais desse assunto. Gosto tanto que sou terapeuta há quatro anos, e há mais tempo ainda sou paciente. Acompanhar a mudança, a mutação, a metamorfose é para mim um processo de beleza comparável ao desabrochar de uma flor. Um pouquinho mais bonito, porque a rosa não sabe que é rosa nem tampouco intenciona o veludo e a cor intensa de suas pétalas. É verdade que a rosa não sofre por deixar de ser botão, mas, coitada!, ela não pode olhar-se no espelho e sentir o gozo de ser rosa.

Dito isso, dou a palavra à Absolen, a lagarta que os estúdios Disney levaram ao cinema em 1951 e em 2010. Absolen sabe o que é metamorfose. Que propriedade essa dona tem pra falar de mudança! Vamos ouvi-la!

   


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terça-feira, 31 de julho de 2012

Chico Buarque e Paula Toller - Dueto

E prosseguimos com mais uma parceria inusitada da música brasileira. Aqui a Paula Toller realiza meu sonho e faz dueto com Chico Buarque cantando, justamente, Dueto. O corte de cabelo e o look da Paula estão lamentáveis - anos oitenta, fazer o quê? - mas ficou lindinha a versão que eles fizeram pra esse especial que a Band exibiu em 1984.

Todo mundo aí deve conhecer a versão original, na qual Ele faz parceria com a Nara Leão. Vou aproveitar a carona e mostrar aqui a minha versão favorita de Dueto, com a Zizi Possi na voz feminina. Gosto demais do timbre dela, pena que ela faça escolhas tão duvidosas de repertório. Per Amore não dá, né, Zizi?

Esta segunda versão faz parte da trilha do filme Amores Possíveis (2001). O Chico fez pequenas modificações na letra, e os mais atentos vão perceber como Ele brinca com os papéis masculino e feminino em cada versão.







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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tom Jobim e Marina - Lígia

Eu adoro uma parceria inusitada. Essa daqui aconteceu em Nova Iorque, no especial que a Globo fez pra comemorar os sessenta anos do Tom Jobim. Delícia como O Maestro fica à vontade, curtindo a presença da menininha Marina Lima. Queria eu sentar no banquinho ao lado dele!




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segunda-feira, 25 de junho de 2012

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

É uma animação, mas não se engane: esse curta, vencedor do Oscar em 2012, é cinema de gente grande. Um linda alegoria sobre o poder curativo dos livros.






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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Lalo Schifrin

Isso aqui é diferente. Vamos ver se vocês gostam.

O Lalo Schifrin é pianista, arranjador e etc. Com "etc", eu quero dizer que ele é músico em muitas das acepções da palavra. Ele é meio como o Enio Morricone, sabem? Compôs um monte de trilhas sonoras que a gente conhece mas não sabe que são dele. Eu mesma não o conheço muito. Quem me mostrou foi meu amigo Cauê. Eu sei que o Lalo é argentino e só. Já deu pra sacar que minhas praias favoritas são as da música brasileira e a do jazz, né? As praias que o Lalo gosta - e o Cauê também - eu visito só de vez em quando, mas sempre acho o pessoal de lá muito louco e acabo voltando pras minhas, onde todo mundo é normal. Né, Caetano?

Aqui temos a versão do Lalo pra uma das músicas mais clássicas do cinema, que é o tema de Tubarão. O Spielberg meio que renega esse filme. Não sei por quê. Eu adoro, me dá o maior medão. Se bem que eu também gosto do Aracnofobia, então acho que não tenho muita credibilidade...  





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domingo, 3 de junho de 2012

Chico Buarque x Cyro Monteiro

Gosto demais das historinhas da nossa música brasileira!

O Chico Buarque é Fluminense roxo. Quando nasceu sua filha Silvia, o Cyro Monteiro, de sacanagem, presenteou a pequena com uma camisetinha do Flamengo.  O Chico respondeu com o sambinha Ilmo. Sr. Cyro Monteiro (1970), que posteriormente recebeu o segundo título de Receita pra Virar Casaca de Neném. Pra entender o porquê é preciso ouvir com essas duas imagens em mente:

Chico PolitheamaFla x FluFla                          Flu
   
Aqui o próprio Cyro Monteiro nos presenteia com essa história. Um pouco difícil de entender por causa da qualidade do áudio. Atenção ao detalhe: a gatinha sentada à esquerda do Cyro é a Elke Maravilha. 


É claro que não posso deixar de colocar a versão d'Ele. Reparem na caixa de fósforo na percussão. É mais uma homenagem ao Cyro, que foi um exímio tocador desse instrumento de boteco.




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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tereza da Praia

E seguimos na inesgotável e prazerosa tarefa de compreender porque é que o Tom Jobim era "o cara".

Tereza da Praia foi encomendada pela gravadora Continental pra fazer mais um pouquinho de $$$ em cima da suposta rivalidade entre Lúcio Alves e Dick Farney. Pareceria do Tom com Billy Blanco, o dueto foi lançado em 1954, quando Lúcio e Dick eram Os cantores e O Maestro ainda dava os primeiros passos na carreira - só pra dar uma referência, a Garota de Ipanema é de 1962. Nem preciso dizer do sucesso e das mil e uma regravações desse clássico da Bossa Nova. Quem foi ao mais recente show do Chico Buarque deve estar com a música fresquinha na cabeça, porque mais uma vez o Ele homenageou o maestro soberano, desta vez cantando a Tereza em uma irreverente parceria com o grande baterista Wilson das Neves.

E por falar em baterista, aqui vamos ficando com o tal do Toninho, que eu não conheço, mas que faz a parceria com o Dick no lugar do Lúcio Alves. Não querendo desmerecer o Toninho, diz que é excelente baterista, mas aqui a gente gosta das coisas clássicas, é ou não é? Incompetência minha, que não achei vídeo do dueto original. Segura, Toninho!





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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Over the Rainbow - Judy Garland

Eu devia ter uns 6 anos quando minha mãe me disse pra assistir a O Mágico de Oz. Eu não gostei da ideia, falei pra ela que só gostava de desenho animado. Ainda mais filme velho! O Mágico é de 1939!, vê se eu tinha cara... Mas minha mãe sabe das coisas: me enfiou no cinema à força e me obrigou a ver. Daí o filme começou. Gente, o começo do filme é em P&B. Eu queria matar a minha mãe! Imagina só a minha tromba. Imaginou? Agora imagina a minha cara no final da sessão quando a mamãe veio perguntar se eu tinha gostado...

Todos vocês já viram essa cena. Tenho muito respeito por ela e pelo filme todo. O que é que eu posso dizer, é uma clássico dentre os clássicos! Quantas atrizes da década de 30 você conhece? A Judy Garland se foi em 1969 e continua famosa. Sem falar na lindíssima Over the Raimbow, que segue sendo ouvida e gravada mais de 60 anos após o lançamento desse clássico dos musicais! Vamos apenas desmentir um fato: O Mágico não é o primeiro filme a usar Technicolor. Ele fez  uso notável da técnica, e talvez por isso tenha levado a fama, mas esse troféu vai para Vaidade e beleza (1935), de Rouben Mamoulian.




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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Saudade pela boca

Faz frio e estou tomando chocolate quente. Chocolate quente de verdade, com um pedaço de chocolate de verdade, bem escuro e bem brilhante.  Hoje de manhã no hospital em que eu trabalho um pessoal do Starbucks estava oferecendo café e uns mini pedacinhos de brownie. Comi uns dez. Frio é assim mesmo: a gente fica com vontade de comer, de ficar dentro de casa e de ficar junto.

Quando eu era pequena ia todos os domingos à casa da minha avó paterna. Normalmente os adultos diziam que lugar de criança "era lá fora", no quintal, mas às vezes – imagino que no frio – fazia-se exceção e as crianças iam pra cozinha fazer biscoito de nata. Veja, quando eu digo “as crianças”, estou me referindo ao sem fim de netos de uma mulher que teve catorze filhos. Todas as manhãs ela fervia o leite (muito leite) e pouco a pouco ia juntando a nata com que depois os netos faríamos biscoito. Eu não tenho muita lembrança da confecção da massa – talvez fossem os adultos e as crianças mais velhas quem cuidassem dessa etapa – mas depois eram metros e metros de massa aberta, e aí era a hora de a criançada liberar a criatividade, porque a massa de biscoito virava escultura. Lá na casa da vovó Alice tinha forminhas de todos os formatos possíveis, mas o legal mesmo era pegar a faca e recortar um biscoito único, personalizado! O biscoito mais bonito que eu vi foi um porquinho que uma das tias, a Vana, fez. Tinha rabinho de porquinho, focinho de porquinho e corpinho roliço, em forma de barril. As fornadas iam deixando um cheiro quente inebriante pela casa toda, as crianças loucas pra ver o resultado final das obras de arte. A Vana deixou e eu comi o porquinho dela.

Tinha também o pão da Bel. Acho que a Bel nem sabe que é assim que eu me refiro ao pão dela. Era tão legal amassar o pão da Bel! Tinha que sovar mesmo, meter a mão com uma força que na época eu não tinha! Será que meu irmão do meio se lembra de nós dois arremessando o pão da Bel contra a bancada? Depois, mais um cheiro inebriante, e como era bom comê-lo pelando, a manteiga derretendo já quando a faca se aproximava da fatia fumegante! Fim de semana de frio, quando eu ficava em casa, sempre pedia pra minha mãe: “mãe, vamos fazer pão da Bel?”.

Na casa da minha avó materna era diferente. Ela se chamava Maria de Nazareth e detestava quando algum desavisado via seu nome no cheque e a chamava de “dona Maria”. Ela nunca cozinhava, mas era meticulosa e detalhista que só, de modo que a casa dela também tinha suas iguarias. Eu gostava muito do suflê de nozes, mas bom mesmo era o bom-bocado. Eram pequenininhos, não como esses enormes que a gente vê na padaria. E outra, os bom-bocados da minha avó não levavam coco, e eu sempre tive uma aflição danada do barulhinho que faz quando a gente mastiga coco. Por cima do bom-bocado ficava aquela casquinha dourada de queijo ralado, e por dentro era aquele não-sei-explicar que derretia na boca! Eu e minha mãe comíamos uns dez, quinze cada uma. Se tivesse mais, comíamos mais.

Aqui em casa tem a receita do bom-bocado, do suflê de nozes, do biscoito de nata, do pão da Bel e de outras receitas de família. Será que um dia vou voltar a assar uma fornada de biscoito de nata? Será que vai ter graça, o gosto sem os personagens em volta? Será que todas essas comidinhas de família são realmente tão gostosas quanto me dizem as lembranças, ou o sabor se mistura com o afeto? Quando eu tiver meus próprios filhos talvez essas receitas acordem, talvez venham outras. Grande sacada dos comerciais de tempero, arroz e margarina essa coisa de mostrar a cozinha como cenário de tanta afeição. Um bom prato de comida de fato pode ser uma declaração de amor.

Eu tenho saudade dos sabores da minha infância. Comer com o pensamento não é a mesma coisa.



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