É uma animação, mas não se engane: esse curta, vencedor do Oscar em 2012, é cinema de gente grande. Um linda alegoria sobre o poder curativo dos livros.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Lalo Schifrin
Isso aqui é diferente. Vamos ver se vocês gostam.
O Lalo Schifrin é pianista, arranjador e etc. Com "etc", eu quero dizer que ele é músico em muitas das acepções da palavra. Ele é meio como o Enio Morricone, sabem? Compôs um monte de trilhas sonoras que a gente conhece mas não sabe que são dele. Eu mesma não o conheço muito. Quem me mostrou foi meu amigo Cauê. Eu sei que o Lalo é argentino e só. Já deu pra sacar que minhas praias favoritas são as da música brasileira e a do jazz, né? As praias que o Lalo gosta - e o Cauê também - eu visito só de vez em quando, mas sempre acho o pessoal de lá muito louco e acabo voltando pras minhas, onde todo mundo é normal. Né, Caetano?
Aqui temos a versão do Lalo pra uma das músicas mais clássicas do cinema, que é o tema de Tubarão. O Spielberg meio que renega esse filme. Não sei por quê. Eu adoro, me dá o maior medão. Se bem que eu também gosto do Aracnofobia, então acho que não tenho muita credibilidade...
domingo, 3 de junho de 2012
Chico Buarque x Cyro Monteiro
Gosto demais das historinhas da nossa música brasileira!
O Chico Buarque é Fluminense roxo. Quando nasceu sua filha Silvia, o Cyro Monteiro, de sacanagem, presenteou a pequena com uma camisetinha do Flamengo. O Chico respondeu com o sambinha Ilmo. Sr. Cyro Monteiro (1970), que posteriormente recebeu o segundo título de Receita pra Virar Casaca de Neném. Pra entender o porquê é preciso ouvir com essas duas imagens em mente:
Aqui o próprio Cyro Monteiro nos presenteia com essa história. Um pouco difícil de entender por causa da qualidade do áudio. Atenção ao detalhe: a gatinha sentada à esquerda do Cyro é a Elke Maravilha.
É claro que não posso deixar de colocar a versão d'Ele. Reparem na caixa de fósforo na percussão. É mais uma homenagem ao Cyro, que foi um exímio tocador desse instrumento de boteco.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Tereza da Praia
E seguimos na inesgotável e prazerosa tarefa de compreender porque é que o Tom Jobim era "o cara".
Tereza da Praia foi encomendada pela gravadora Continental pra fazer mais um pouquinho de $$$ em cima da suposta rivalidade entre Lúcio Alves e Dick Farney. Pareceria do Tom com Billy Blanco, o dueto foi lançado em 1954, quando Lúcio e Dick eram Os cantores e O Maestro ainda dava os primeiros passos na carreira - só pra dar uma referência, a Garota de Ipanema é de 1962. Nem preciso dizer do sucesso e das mil e uma regravações desse clássico da Bossa Nova. Quem foi ao mais recente show do Chico Buarque deve estar com a música fresquinha na cabeça, porque mais uma vez o Ele homenageou o maestro soberano, desta vez cantando a Tereza em uma irreverente parceria com o grande baterista Wilson das Neves.
E por falar em baterista, aqui vamos ficando com o tal do Toninho, que eu não conheço, mas que faz a parceria com o Dick no lugar do Lúcio Alves. Não querendo desmerecer o Toninho, diz que é excelente baterista, mas aqui a gente gosta das coisas clássicas, é ou não é? Incompetência minha, que não achei vídeo do dueto original. Segura, Toninho!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Over the Rainbow - Judy Garland
Eu devia ter uns 6 anos quando minha mãe me disse pra assistir a O Mágico de Oz. Eu não gostei da ideia, falei pra ela que só gostava de desenho animado. Ainda mais filme velho! O Mágico é de 1939!, vê se eu tinha cara... Mas minha mãe sabe das coisas: me enfiou no cinema à força e me obrigou a ver. Daí o filme começou. Gente, o começo do filme é em P&B. Eu queria matar a minha mãe! Imagina só a minha tromba. Imaginou? Agora imagina a minha cara no final da sessão quando a mamãe veio perguntar se eu tinha gostado...
Todos vocês já viram essa cena. Tenho muito respeito por ela e pelo filme todo. O que é que eu posso dizer, é uma clássico dentre os clássicos! Quantas atrizes da década de 30 você conhece? A Judy Garland se foi em 1969 e continua famosa. Sem falar na lindíssima Over the Raimbow, que segue sendo ouvida e gravada mais de 60 anos após o lançamento desse clássico dos musicais! Vamos apenas desmentir um fato: O Mágico não é o primeiro filme a usar Technicolor. Ele fez uso notável da técnica, e talvez por isso tenha levado a fama, mas esse troféu vai para Vaidade e beleza (1935), de Rouben Mamoulian.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Saudade pela boca
Faz frio e estou tomando chocolate quente. Chocolate quente
de verdade, com um pedaço de chocolate de verdade, bem escuro e bem
brilhante. Hoje de manhã no hospital em
que eu trabalho um pessoal do Starbucks estava oferecendo café e uns mini pedacinhos
de brownie. Comi uns dez. Frio é assim mesmo: a gente fica com vontade de
comer, de ficar dentro de casa e de ficar junto.
Quando eu era pequena ia todos os domingos à casa da minha
avó paterna. Normalmente os adultos diziam que lugar de criança "era lá fora", no quintal,
mas às vezes – imagino que no frio – fazia-se exceção e as crianças iam pra
cozinha fazer biscoito de nata. Veja, quando eu digo “as crianças”, estou
me referindo ao sem fim de netos de uma mulher que teve catorze filhos. Todas
as manhãs ela fervia o leite (muito leite) e pouco a pouco ia juntando a nata com
que depois os netos faríamos biscoito. Eu não tenho muita lembrança da confecção
da massa – talvez fossem os adultos e as crianças mais velhas quem cuidassem
dessa etapa – mas depois eram metros e metros de massa aberta, e aí era a hora
de a criançada liberar a criatividade, porque a massa de biscoito virava
escultura. Lá na casa da vovó Alice tinha forminhas de todos os formatos possíveis,
mas o legal mesmo era pegar a faca e recortar um biscoito único, personalizado!
O biscoito mais bonito que eu vi foi um porquinho que uma das tias, a Vana, fez.
Tinha rabinho de porquinho, focinho de porquinho e corpinho roliço, em forma de
barril. As fornadas iam deixando um cheiro quente inebriante pela
casa toda, as crianças loucas pra ver o resultado final das obras de arte. A Vana
deixou e eu comi o porquinho dela.
Tinha também o pão da Bel. Acho que a Bel nem sabe que é
assim que eu me refiro ao pão dela. Era tão legal amassar o pão da Bel! Tinha
que sovar mesmo, meter a mão com uma força que na época eu não tinha! Será que
meu irmão do meio se lembra de nós dois arremessando o pão da Bel contra a
bancada? Depois, mais um cheiro inebriante, e como era bom comê-lo pelando, a
manteiga derretendo já quando a faca se aproximava da fatia fumegante! Fim de
semana de frio, quando eu ficava em casa, sempre pedia pra minha mãe: “mãe,
vamos fazer pão da Bel?”.
Na casa da minha avó materna era diferente. Ela se chamava
Maria de Nazareth e detestava quando algum desavisado via seu nome no cheque e
a chamava de “dona Maria”. Ela nunca cozinhava, mas era meticulosa
e detalhista que só, de modo que a casa dela também tinha suas iguarias. Eu
gostava muito do suflê de nozes, mas bom mesmo era o bom-bocado. Eram
pequenininhos, não como esses enormes que a gente vê na padaria. E outra, os
bom-bocados da minha avó não levavam coco, e eu sempre tive uma aflição danada
do barulhinho que faz quando a gente mastiga coco. Por cima do bom-bocado ficava aquela casquinha
dourada de queijo ralado, e por dentro era aquele não-sei-explicar que derretia
na boca! Eu e minha mãe comíamos uns dez, quinze cada uma. Se tivesse mais,
comíamos mais.
Aqui em casa tem a receita do bom-bocado, do suflê de nozes,
do biscoito de nata, do pão da Bel e de outras receitas de família. Será que um dia
vou voltar a assar uma fornada de biscoito de nata? Será que vai ter graça, o
gosto sem os personagens em volta? Será que todas essas comidinhas de família
são realmente tão gostosas quanto me dizem as lembranças, ou o sabor se mistura
com o afeto? Quando eu tiver meus próprios filhos talvez essas receitas
acordem, talvez venham outras. Grande sacada dos comerciais de tempero, arroz e
margarina essa coisa de mostrar a cozinha como cenário de tanta afeição. Um bom
prato de comida de fato pode ser uma declaração de amor.
Eu tenho saudade dos sabores da minha infância. Comer com o
pensamento não é a mesma coisa.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
Rhaissa Bittar
Um dia minha amiga Gabriela Pelosi passava por Perdizes e acabou seduzida por uma loja de chapéus exóticos. Coisas malucas, meio fantasias, meio excêntricas. A dona da boutique, com quem ela conversou bastante, acabou por lhe apresentar o som dessa menina, a Rhaissa Bittar. A Gabi comprou o CD ali mesmo, porque a chapeleira maluca parece que é tipo uma madrinha de profissão da Rhaissa e vende o disco na loja.
Logo na sequência nos encontramos e eu vi o CD no carro da Gabi. Eu conheço o irmão da Rhaissa, e através dele já cruzei com ela uma vez há muito tempo. Mas na época eu não dei muita bola, nem fui atrás do trabalho dela. Foi só quando entrei no carro e ouvi aquele som que o negócio bateu.
A Rhaissa escreve letras muito divertidas sobre assuntos (e em idiomas!) diversos. Ela tem uma característica vocal que, manejada de outra forma, poderia soar um pouco caricata, mas ela conhece a própria voz e brinca deliciosamente com seu timbre, conseguindo um resultado final que é pura irreverência! Eu e a Gabi (que também é cantora) achamos que a Rhaissa tem um quê de Carmen Miranda. A arte do CD é super bonita e o encarte tem todas as letras. Sou só elogios pra esse disco e considero a Rhaissa uma das revelações da nova música brasileira. E olha que meu gosto musical é de extrema direita, hein? A gente aqui não abre espaço pra qualquer novata não!
Eu escolhi pra mostrar pra vocês essa música chamada Chilique Chique. Aqui só vou botar essa, mas fica o convite pro my space da moça, onde dá pra ouvir outras faixas. Vai lá, gente. Tem até música em chinês!
Com vocês, Rhaissa Bittar!
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Toni Tornado - Me Libertei
Eu nunca imaginei que fosse escrever um post sobre o Toni Tornado. Cara, quem é o Toni Tornado, afinal? Eu não sei nada sobre ele! Eu poderia jogar no Google e fingir que sei, mas seria charlatanismo da minha parte. Não sei e pronto. Mas aí é que está o grande barato dessa história de compartilhar. Explico-me: desde que comecei o blog, tenho recebido pérolas de diversas fontes. Pensam que só vocês recebem? Péééé!, errado! O mundo mágico do compartilhamento é igual que nem a flechinha da reciclagem: uma via de mão dupla! Daí que, numa dessas flechinhas apontadas pra mim, me chegou essa suingueira incrível do Toni Tornado. Foi meu segundo contato com ele. O primeiro, gente, foi na novela Vamp, em 1991. Pode vasculhar no seu baú da memória que está lá.
terça-feira, 17 de abril de 2012
O bizarro desaparecimento de uma cachorrinha com nome de fruta ou Como conheci o simpático submundo do meu bairro
É terça-feira e são cinco horas
da manhã. O pobre coitado que passa no Santana caindo aos pedaços quase não
acredita na moça que caminha em direção à esquina. Ele pensa que tirou a sorte
grande e já desacelera pra começar as negociações, mas ela olha pra ele com
desconfiança, faz meia volta e desiste de plantar-se na esquina. O homem vai
embora resignado com a perspectiva de mais um dia de labuta e – como se não
bastasse – ressaca.
***
Domingo à noite o pós Carnaval da
moça ganhou ares de infância quando chegou a surpresa: quatro patinhas
totalmente despreparadas para equilibrar o corpinho roliço de apenas 43 dias. A
cachorrinha chamou-se Graviola, pois a menina que morava dentro da moça achou
fofo, embora muitos tivessem tentado dissuadi-la da escolha argumentando que o
nome era muito grande.
Até a moça ficou cansada, mas a
menininha não queria senão apertar, apertar, apertar. Ela estava explicando à
Graviola que sua razão de ser era fazer aquela criança feliz – função que a cachorrinha
desempenhava com maestria.
Finalmente a moça conseguiu
levá-las – a menininha e ela própria – pra dormir. Na segunda-feira elas teriam
de acordar particularmente cedo, pois a moça tinha reunião às sete e meia da
madrugada.
Segunda, seis horas da manhã veio
a constatação trágica de que a Graviola desaparecera. O avô dela – também pai
da moça – já procurara em todo canto, inclusive na rua, do outro lado dos altos
muros que cercam a casa da família. Ele já colocava as meias e os sapatos,
resignação de segunda-feira e de Graviola, quando a moça, inconformada,
resolveu ela mesma iniciar as buscas pelo bairro.
Do outro lado dos altos muros que
cercam a bela casa da família as moças que não têm família trabalham dia e
noite pra pagar o aluguel do quartinho da espelunca. Ainda bem: não fosse
assim, não estaria na esquina a Rose. A Rose tem três filhos
pequenos e um pai que deixou de ser taxista porque virou cadeirante, mas a
própria tragédia não a impediu de ficar profundamente comovida com o drama da
menininha que perdera a cachorrinha. A Rose tinha visto a Graviola. Ali mesmo na
esquina, brincando serelepe com os passantes que começavam suas
segundas-feiras. Minutos antes de a moça aparecer, revelou a Rose, uns rapazes
que passavam por ali todo dia levaram a cachorrinha. Mas levaram pra onde, meu
deus?! A Rose não sabia.
***
Terça-feira, quinze para as cinco
da matina o despertador toca, como se precisasse. Moça e menininha pulam da
cama. Era quase um tirar o pai da forca. Vestem-se às pressas, a moça um pouco
preocupada com o que vestir em tão pitoresca ocasião. A primeira coisa que aconteceu quando ela
pisou fora de casa foi a sua preocupação se justificar. Ela não tinha medo de
violência física, mas, ah!, que nojento ser olhada daquela maneira por aquele homem
também nojento! Fez meia volta, esforçou-se ao máximo para parecer moça de
família e quando o nojento foi embora voltou a caminhar na direção da esquina
somente para constatar, desolada, que a Rose não estava lá. Porque era a Rose a
única pista do desaparecimento da Graviola, ela esperou. Na esquina, de
madrugada, em situação inédita pra moça que se preze.
Logo um carro encostou na esquina
e a Rose desceu. A moça bem imaginou que ela devia estar trabalhando, pois na
noite anterior ela havia jurado que todos os dias exercia o ofício até seis da
manhã naquela esquina. Juntas elas puseram-se a esperar os supostos
sequestradores da Graviola. Como eles não passavam nunca, a moça ficou sabendo dos
três filhos da Rose, do acidente que paralisara seu pai, dos seiscentos reais
de aluguel, do ex-patrão, etc. Elas caminhavam alguns metros, a Rose com dor no
pé e com o chinelo de dedo arrebentado.
Lá pelas tantas a moça foi pra
casa chorar no colo da sua mãe porque os suspeitos não passaram. A mãe, é
claro, sentia pela filha. Muniu-se de sua calma e maturidade e foi para a rua. Andou
para além da esquina da Rose, que não estava mais lá, e deparou-se com um ponto
de táxi. Contou aos motoristas o pranto da filha, e eis que surge uma nova
pista. Havia sim uns moços, mas não era todo dia, era toda segunda-feira.
Pegavam a tal da van e iam para a tal da construção pegar no tal do batente
durante toda a semana. E não é que um dos taxistas lembrava o nome da empresa?
A mãe só foi acordar a moça, que
voltara a dormir, depois de jogar o nome da empresa no Google, contar à
secretária a história da Graviola (com o adendo “criança doente”), descobrir
que a cachorrinha fora levada para uma construção em Porto Feliz (onde estava
fazendo a festa dos pedreiros/sequestradores) e garantir que o mestre de obras
a traria pra casa sã e salva na noite de quarta-feira.
Epílogo
A Graviola voltou pra casa por
volta das oito da noite, alegre e frenética como no dia em que eu a conheci. A
Rose deve ter chegado na minha esquina bem mais tarde do que isso. Como
trabalho de dia e à noite estou dormindo, ainda não consegui encontrar a Rose
para agradecer pessoalmente, coisa que meu pai já fez. Eu acho que ela não lê
meu blog. Acho mesmo que nem acessa internet. Estou devendo um “obrigada” de
todo tamanho pra essa mulher.
foto: Caroline Riley
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Sinatra & Jobim
Diz que o
Tom Jobim não acreditou quando A Voz do outro lado do telefone apresentou-se como
Frank Sinatra e o convidou pra gravarem um disco juntos. Desligou na cara, conta-se. Ainda bem que o Frank ligou de novo.
O disco
Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim foi eleito pela crítica o
melhor de 1967, e naquele ano ficou em segundo lugar nas paradas, perdendo só pro
Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band. É muito fino esse disco. Aqui os dois dão
uma palinha pra gente. A produção simples e classuda esbanja bossa nova: smoking, cadeiras de palha e cigarrinho na mão. Eu fecho os olhos e tenho vista pro Corcovado.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Rachel Crow - I'd Rather Go Blind
Cantar no chuveiro é uma delícia. Banheiros em geral têm acústicas incríveis, e estacionamentos de shopping também. Mas no banheiro a gente fica na companhia da nossa solidão, e a solidão é uma platéia incrível. Eu experimento coisas com a minha voz que só meu chuveiro sabe. Cometo atrocidades e não estou nem aí. O grande barato é esse: não estar nem aí - só ali.
Vou compartilhar uma das minhas fantasias irrealizáveis: eu queria ouvir a Ella Fitzgerald no chuveiro. Se ela fazia o que fazia na nossa frente, imagina o que não acontecia quando estava experimentando seu timbre, testando seu alcance, cantando em palcos imaginários! Devia ser, com o perdão da expressão, do caralho!
A Ella é minha favorita, mas eu também ficaria bem feliz com os banhos de Billy Holliday, Aretha, Etta James, Sarah Vaughn e todas as divas do jazz.
E eis que chegamos na minha nova mini diva. O meu banho da Rachel Crow acontece em uma banheira de espuma e ela não está sozinha, mas na companhia de um clássico patinho amarelo. É que ela é uma meninazinha fofa de 14 aninhos! Você vai duvidar disso depois de vê-la cantar.
A Rachel apareceu no programa (mega) americano The X Factor. É mais uma daquelas competições de cantores por um contrato milionário. Ela não ganhou, mas já assinou contrato com uma grande gravadora. Essa menina não é uma promessa: ela já é uma diva.
Aqui a pequena manda um clássico de Etta James, e eu ouso dizer que a versão ficou melhor que a original!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Eu quero agora
A sábia me disse que não é
exatamente a pressa a verdadeira inimiga da perfeição. A pressa, ela disse, é só
disfarce. Pressa não é sentimento: é fazer. É a reação imediata de quem esbarra
no tempo. Pressa é atropelar as próprias pernas exigindo do tempo que saia da
frente.
A sábia, quando está comigo,
conversa com as minhas ansiedadezinhas. Ela lhes diz: “pra que a pressa, se o
futuro é a morte?”. E segue explicando, as palavras tranquilamente cadenciadas, que o
destino não tem graça sem as cores e os cheiros do caminho. Cada palavra que a
voz doce da sábia diz é como uma caixinha, que se abre e revela outra caixinha,
que se abre e revela outra caixinha, que se abre e revela outra, sempre outra. Eu
me sento diante dela de pernas cruzadas como que para escutar a professorinha
do primário, e as palavras que ela diz vão ficando mais e mais gordas de
sentido, e tão bonitas que me fazem esquecer que antes eu tinha pressa. Então eu
fico inteira no único tempo que tenho: o presente.
A sábia mora dentro de mim.
Ocorre que às vezes ela se cansa, porque eu nunca aprendo. Ou será que, pelo contrário, me superestima e pensa que não preciso mais dela? O fato é que de tempos em tempos a sábia escolhe uma caverna – dentro de mim tem muitas cavernas – onde por tempo indeterminado se recolhe com toda a sua sabedoria. Ela hiberna, e então se faz inverno em mim. Inverno de mim, de ansidadezonas efervescentes.
Ocorre que às vezes ela se cansa, porque eu nunca aprendo. Ou será que, pelo contrário, me superestima e pensa que não preciso mais dela? O fato é que de tempos em tempos a sábia escolhe uma caverna – dentro de mim tem muitas cavernas – onde por tempo indeterminado se recolhe com toda a sua sabedoria. Ela hiberna, e então se faz inverno em mim. Inverno de mim, de ansidadezonas efervescentes.
Onde você foi, sábia? Acorda
logo, me ajuda! Eu tenho pressa de te encontrar!
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