segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sinatra & Jobim

Diz que o Tom Jobim não acreditou quando A Voz do outro lado do telefone apresentou-se como Frank Sinatra e o convidou pra gravarem um disco juntos. Desligou na cara, conta-se. Ainda bem que o Frank ligou de novo.
O disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim foi eleito pela crítica o melhor de 1967, e naquele ano ficou em segundo lugar nas paradas, perdendo só pro Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band. É muito fino esse disco. Aqui os dois dão uma palinha pra gente. A produção simples e classuda esbanja bossa nova: smoking, cadeiras de palha e cigarrinho na mão. Eu fecho os olhos e tenho vista pro Corcovado.




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terça-feira, 10 de abril de 2012

Rachel Crow - I'd Rather Go Blind

Cantar no chuveiro é uma delícia. Banheiros em geral têm acústicas incríveis, e estacionamentos de shopping também. Mas no banheiro a gente fica na companhia da nossa solidão, e a solidão é uma platéia incrível. Eu experimento coisas com a minha voz que só meu chuveiro sabe. Cometo atrocidades e não estou nem aí. O grande barato é esse: não estar nem aí - só ali.

Vou compartilhar uma das minhas fantasias irrealizáveis: eu queria ouvir a Ella Fitzgerald no chuveiro. Se ela fazia o que fazia na nossa frente, imagina o que não acontecia quando estava experimentando seu timbre, testando seu alcance, cantando em palcos imaginários! Devia ser, com o perdão da expressão, do caralho!

A Ella é minha favorita, mas eu também ficaria bem feliz com os banhos de Billy Holliday, Aretha, Etta James, Sarah Vaughn e todas as divas do jazz.

E eis  que chegamos na minha nova mini diva. O meu banho da Rachel Crow acontece em uma banheira de espuma e ela não está sozinha, mas na companhia de um clássico patinho amarelo. É que ela é uma meninazinha fofa de 14 aninhos! Você vai duvidar disso depois de vê-la cantar.

A Rachel apareceu no programa (mega) americano The X Factor. É mais uma daquelas competições de cantores por um contrato milionário. Ela não ganhou, mas já assinou contrato com uma grande gravadora. Essa menina não é uma promessa: ela já é uma diva.

Aqui a pequena manda um clássico de Etta James, e eu ouso dizer que a versão ficou melhor que a original!  





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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Eu quero agora



A sábia me disse que não é exatamente a pressa a verdadeira inimiga da perfeição. A pressa, ela disse, é só disfarce. Pressa não é sentimento: é fazer. É a reação imediata de quem esbarra no tempo. Pressa é atropelar as próprias pernas exigindo do tempo que saia da frente.
A sábia, quando está comigo, conversa com as minhas ansiedadezinhas. Ela lhes diz: “pra que a pressa, se o futuro é a morte?”. E segue explicando, as palavras tranquilamente cadenciadas, que o destino não tem graça sem as cores e os cheiros do caminho. Cada palavra que a voz doce da sábia diz é como uma caixinha, que se abre e revela outra caixinha, que se abre e revela outra caixinha, que se abre e revela outra, sempre outra. Eu me sento diante dela de pernas cruzadas como que para escutar a professorinha do primário, e as palavras que ela diz vão ficando mais e mais gordas de sentido, e tão bonitas que me fazem esquecer que antes eu tinha pressa. Então eu fico inteira no único tempo que tenho: o presente.
A sábia mora dentro de mim.

Ocorre que às vezes ela se cansa, porque eu nunca aprendo. Ou será que, pelo contrário, me superestima e pensa que não preciso mais dela? O fato é que de tempos em tempos a sábia escolhe uma caverna – dentro de mim tem muitas cavernas – onde por tempo indeterminado se recolhe com toda a sua sabedoria. Ela hiberna, e então se faz inverno em mim. Inverno de mim, de ansidadezonas efervescentes.
Onde você foi, sábia? Acorda logo, me ajuda! Eu tenho pressa de te encontrar!
 

Passagem do tempo, pressa


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Chico Buarque - jingle de Natal

Isso sim é pérola! Esse sambinha pueril faz parte de um compacto raríssimo de 1967. O disco era um brinde de final de ano da já extinta imobiliária Clineu Rocha. Contrataram o Chico pra fazer um sambinha natalino e deu nisso. Depois teve briga, porque o seu Clineu quis dar uma de malandro pra cima do Chico. Quem contou, em entrevista ao Coojornal em junho de 1977, foi Ele mesmo:

Coojornal - Em compensação, aquela imobilária de São Paulo, a Clineu Rocha, usou com a maior cara de pau uma música tua como jingle...
Chico Buarque - Mas ela foi a falência como castigo (risos)
Coojornal - Como foi mesmo essa história da Clineu Rocha?
Chico Buarque - Não, foi um negócio de dez anos atrás. Eu fiz uma musiquinha, gravei com violão assim, que era para essa empresa distribuir aos sue clientes de brinde no Natal. Mas estava escrito, não era gravação comercial, não era para tocar na rádio nem nada. Agora há dois anos atrás usaram no Natal como
jingle da firma. Aí fui lá e processei e eles me deram a grana porque era um abuso.


Agora começa a viagem no tempo. Primeiro tem um texto introdutório que deve ter sido escrito por alguém cuja paixão por Ele se equipara à minha. [Preciso conhecer essa pessoa]. Depois vem o sambinha e na sequência (medo) você vai ouvir alguns jingles assustadores da Clineu Rocha. Talvez você queira apertar o pause antes disso.





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quarta-feira, 28 de março de 2012

Maria Bethânia - Um Índio

Vai, Bethânia!!!!! Poderosa!!!!! Deusa do céu e da terra!!!! Esfrega sua indiferença na cara desse repórter imbecil! Despreparado! Insistente! Ê, racinha populosa que desonra o jornalismo brasileiro, viu...

Esse é um trechinho do documentário Doces Bárbaros, registro do encontro dos monstros da música brasileira Gal, Gil, Caetano e sua irmã. A turnê aconteceu em 1976, quando o nariz da Maria Bethânia ainda não era tão grande. Você sabia que nariz e orelha nunca param de crescer? Pense nisso antes de ofender a fisionomia de alguém...

Agora vê o vídeo e depois me fala: ela viu ou não viu?




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domingo, 25 de março de 2012

Squirrel Nut Zippers

Acho que foi o reveillon de 2004 que eu passei em um sítio delicioso em Piracaia, interior de São Paulo, na companhia de uns amigos arruaceiros do colegial. Tava bom, viu? Na noite da virada teve até briga de galo de peladas na lagoa! 

Nessa mesma noite, na nossa baladinha dançante particular, um dos meninos (o dono do primeiro Ipod que eu vi na vida!) colocou uma música que eu nunca esqueci. É antiga? É pós-moderna? É russa? É jazz? 

É boa.

Era o tal do Squirrel Nut Zippers. Se você jogar no Google vai descobrir quantas classificações diferentes essa banda da Carolina do Norte já recebeu. Eles têm aquela pegada de jazz irreverente que eu adoro [se você também gosta, leia o post sobre o Pink Turtle], tem uma vocalista com pinta (e voz) de gatinha, um vocalista que sabe rasgar, tem violino, ukulele (sabe o que é isso?), e tem um puta swing. Tá cheio de músicas deles nas minhas playlists de balada.

Sem falar, gente, que eles tiveram a presença de espírito de gravar Under The Sea. Achei arraso a levadinha havaiana, fora que eu fecho os olhos e penso que estou ouvindo a Billie Holiday cantar Disney. Não venha dizer que você não conhece essa música, que você não viu A Pequena Sereia. É meio que um sonho meu fazer uma pista pegar fogo com essa música. Precisa saber a hora de botar, e precisa as pessoas estarem loucas - que é a parte mais fácil. Agora, graças ao Squirrel, estou tendo a alegria de escrever uma postagem que reúne juntinhos os marcadores Disney e jazz. Ê, delícia.

Então bora lá. The Gost of Stephen Forest e Under The Sea.
    





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terça-feira, 20 de março de 2012

Das estações

Hoje começou mais um outono. Toda vez que uma estação começa somos forçados a decidir se a que entra é ou não a nossa favorita. Os adeptos do inverno alegam que nele as pessoas ficam mais elegantes, que o inverno é mais romântico, melhor pra dormir de conchinha e tomar vinho tinto. Do verão, diz-se que é a mais alegre das estações, e que as pessoas no verão também são assim, mais pra fora. Que a luz do verão, que o calor do verão, que a praia, que as férias, que – ah! – o horário de verão...

A menos que você viva na Europa ou em Nova Iorque o outono e a primavera ficam um pouco prejudicados na disputa. Aqui eles são vistos um pouco como meio termo, como transição, coitados. É quase como se fossem não muito mais do que um rastro da estação que passou, ou apenas o tempo para que o verão, se primavera, e o inverno, se outono, possam repousar e se arrumar para mais uma estréia. A pessoa que escolhe o meio termo normalmente é vista como sem sal. Gostar do verão ou do inverno é pra quem tem personalidade.

Percebi, um segundo antes da minha decisão, que as estações não me consultam pra decidir qual será a do mês seguinte. Nem se pudessem, eu acho, mudariam seu curso pra respeitar a democracia. Não é justo, razoável, aceitável tamanha falta de reciprocidade! Eu quero que meu voto seja ouvido, oras! Quero relevância para o meu pensar! As estações não têm o menor respeito pela minha opinião – e nem pela sua, eu sinto dizer.

Pois eu voto nulo: não vou escolher estação alguma! Vou é escolher minha noite de hoje, mas ela fatalmente será uma noite de outono.

Atumn in New York - Ella & Louis



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segunda-feira, 19 de março de 2012

O Meu Amor - Elba Ramalho e Cláudia Ohana

Você já viu essa pérola kitsch do cinema brasileiro? Sabia que o Edson Celulari canta e dança no papel do malandro Max Overseas? Que ele abre o filme cantando A Volta do Malandro? Já ouviu a Elba dizendo pra Cláudia - não a Raia, a Ohana - que ela - a Cláudia, gente, o ícone maior da Playboy roots, olha que audácia! - nunca gozou? Então toma essa:

Ópera do Malandro (direção: Ruy Guerra, 1986)


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quinta-feira, 15 de março de 2012

Tom Drummond

Eu joguei no Google o nome desse moço. Quase nada além dos vídeos dele no vídeos dele no YouTube, site oficial e MySpace. Em "notícias" deve ter coisa, eu pensei. Nada. Mas eu boto minha mão no fogo se essa injustiça não estiver com os dias contados.

O Tom tem o pacote completo pra deslanchar na música brasileira. Começou pelo piano aos 6 anos e hoje é bacharel em violoncelo, mas toca também violão e flauta. As composições são lindas, e já tem sim gente começando a perceber isso, tanto é que o cearense foi, em 2010, o vencedor do I Festival de Música da Rádio Universitária FM, lá no Ceará. Ele abocanhou o troféu na categoria Música com Letra com a excelente Seu Santo. Fora, gente, que o Tom é uma graça! Os olhos claros no rosto de menino e a pegada minimalista banquinho + violão (me) fazem lembrar o jovem Chico Buarque (suspiro...). Impossível não ligar os pontos diante de O Enterro do Malandro, homenagem do jovem compositor ao personagem que é o arquétipo da boemia carioca e que o Chico cantou tão bem.


Seu Santo

O Enterro do Malandro

A música que me arrebatou foi de cara a primeira que ouvi. Uma letra irreverente, rimas que fluem naturalmente - sem aquela forçação de barra que a gente escuta tanto hoje em dia - um clipe divertido, super alinhado à estética clean do artista e uma melodia que não desgruda da minha cabeça.

Tom Drummond, sou sua fã!

Ai de Mim


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terça-feira, 13 de março de 2012

Pateta em curta da Disney, 1950

Chegou a hora, pessoal. Vou sair do armário: EU NÃO SEI ANDAR DE BICICLETA. Pronto, falei! Quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Agora vou mais longe. Vou quebrar um paradigma, você tá sentado? Eu já soube andar de bicicleta, TCHÃN! Esse "tchãn" foi meio Hitchcock, vocês sentiram? Tá todo mundo bem aí?

Assim mesmo eu tenho profunda simpatia pelo ciclista, aquele cara de perna sarada e fôlego de anfíbio que diariamente arrisca sua vida no trânsito desvairado e violento da minha cidade.

Esse clássico curta da Disney é de 1950 e continua lamentavelmente atual. Podia ser uma sátira de como as coisas eram, que bom seria! Mas você vai observar nele precisamente, exatamente as mesmas barbaridades a que assiste todos os dias quando sai pra trabalhar. Não é uma tristeza que a gente se depare hoje com os mesmíssimos problemas de 62 anos atrás? E que eles continuem sem ser solucionados, embora a solução não seja nenhum mistério? E que a Mônica Waldvogel, jornalista supostamente esclarecida, faça chacota dos meus ídolos ciclistas na televisão? E que tanta gente acredite na falácia marqueteira de que "brasileiro é apaixonado por carro"? Ah, tem dó!

O argumento do Pateta é o melhor: "Of course I own the road! My taxes pay for them!".



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quinta-feira, 8 de março de 2012

Impressionismo

De todas as coisas dessa noite bela, muitas me impressionam. Que eu não goste tanto assim de comida tailandesa, essa é uma das coisas impressionantes. Quantas risadas eu dei e, mais ainda, quantas dessas tantas foram gargalhadas generosas. [Quem me conhece sabe quantas felicidades eu já menti]. E as histórias do Carnaval?! Que lindas, que ricas! Que novo isso do prazer de contemplar! Porque não eram minhas as histórias incríveis, e nem nunca haviam sido minhas – eu hoje percebo. Mas agora está delicioso coadjuvar. E, além disso, Letícia, daí a César o que é de César!, teus amigos merecem o crédito do seu olhar, porque sabem protagonizar histórias, e que honra ser coadjuvante de tais estrelas!
Nada mais de estrelas, chega disso. Amanhã é Lua cheia. Lembrei disso subitamente quando, impressionada, constatei não a Lua, não as marés, não o meu ser mulher de quase 28. Era o desenho da minha sombra que eu não acreditava. Nem eu sou assim tão nítida! Ler um livro, protetor lunar? Devia ser de sol aquela definição inescrupulosa de contornos, mas vive ainda de penumbra, de prateados. Que bom então que eu possa essa minha imagem no silêncio, na companhia plena dos meus cachorros e no verde escuro de todas as minhas plantas.



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segunda-feira, 5 de março de 2012

O jazz irreverente do Pink Turtle

Necessário para uma melhor qualidade de vida conhecer essa banda. Se você tem preguiça das minhas palavras, pula e vai direto ouvir o som, porque eu ainda vou contar como conheci os caras. Mas ouça. Porque toda vez que eu mostro a reação invariável é de "meu deus o que é isso???". 

Gente, foi a maior boiada da minha vida. Um francês me levou pra um festival de jazz em Enghien les Bains, um subúrbio de Paris. Olha o cartaz do festival, com presença ilustre do magnífico Hamilton de Holanda respresentando o Brasil.

poster festival de jazz

Bom, daí que, pra encurtar a história, uma mineira nos ouviu - eu e o francês - hablando português. Ela veio puxar papo, simpatia tipicamente mineira, e no fim das contas revelou sua verdadeira identidade de esposa de um dos caras do Pink Turtle. E, plin!, nos presenteou com 2 ingressos! Ufa, porque 50 euros cada um não dava nem pra pensar. E foi assim que, meio sem querer, eu fui parar no show dessa banda incrível da qual eu nunca tinha ouvido falar! Super irreverente e dançante o show dos caras! Ah, e não pensem vocês que eles são americanos! São francesinhos, gente, delícia que pude arranhar mon français com o marido da mineira! 

Aqui você ouve a versão dos caras pra Maniac. Aquela mesmo, do filme Flashdance. Tá no disco Back Again.


E essa é uma versão deliciosamente cool jazz de Hotel California que está no primeiro disco dos caras, o Pop in Swing. Ouça no máximo!


E fica a dica: sempre que forem ao exterior, não deixem de checar a agenda de shows e festivais do lugar pra onde vão!


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